quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

eu não quero o teu carinho.




disse
:

eu não quero o teu carinho.
o carinho apenas sorri mas não beija


como a chuva.
bate na vidraça mas esquece-se de entrar.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

procura-me (n)o olhar



procura-me (n)o olhar.

vestido de rendas
velado
hesitante

ele esconde todos os beijos
que se ofereceram à tua boca
quando saías de mansinho
depois de não me esperares

e eram sempre sós
os momentos de ternura
e era sempre adiada
esta boca
(cerrada)

e era sempre gélida
a noite
queimando as orquídeas
desfolhando as mágoas

[dizem uns
que deram à costa as pétalas
que procuravam um corpo

espuma
disseram outros
de vagas antigas
abandonadas por desconhecidos mares]




domingo, 23 de fevereiro de 2014

tão mar assim



ribeira d'Ilhas








e nunca saber como nasceu
como foi


saudade partilhada
alheamentos d'Alma


volta ali
anuncia-te
por todas as pétalas que morreram na praia
quando o teu olhar me bebia por dentro
embriagando-me


tão mar
assim
da cor da alma





diabólico anjo meu










força estranha

tece-se
fio a fio
alquimista 
na vontade perdida
na minha desistência
é este fluído asfixiante
na minha garganta
despertando
a inutilidade de todos os meus
não!

estranho
disfarçado

sorri
tropeça nos campos nunca lavrados
estéreis
[assim o achava!]
vergando o meu olhar
quebrando-me pela cintura

soltando a semente.





sábado, 22 de fevereiro de 2014

tantas mas tantas as vezes


tantas
mas tantas

são as vezes em que entras
beijas e possuis
em que descansas no canto da minha almofada
os olhos mergulhando nos meus
o mar revolto em mim
pelas tuas mãos
em desejo

tantas
todas
as noites
em que sou tua
porque me entrego
em que não sabes
o tanto que te desejei

e são tantas
de mais as vezes
em que nunca te deixei ir
e te guardei
in ventre

deleite



deleite

aos meus olhos cansados
de sons
de falsidades e sorrisos

deleito-me
enrosco-me nas tuas palavras
por entre pontuação e translineações

aqueço-me
no reflexo de intenções
que beijam a minha retina
n'Alma

pois que és

meu deleite
ler-te e adormecer
minha luz
lua e calma 

[Obrigada.]




sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

os se da imperfeição

se o grito se soltasse e eu regressasse a quem escondo... à rebeldia... pela paixão...ao ser descomedido das formas e dos sentidos, despido nas palavras...
e se o meu corpo se estendesse no areal que em ti vê ... em silêncio,
 voltar a ser o desejo disfarçado de pudor...
se eu fosse tudo isso ou fosse simplesmente...
serias o amanhecer quente na minha pele?



diz-mo.


[                     ah!
como gostaria de ser
em ti
em todos os intervalos
em que não te escreves



quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

olhos pecadores





estes meus olhos pecadores
recordando...

sonhadores de outras eras
quando era o mar que te trazia
e te encostavas-te ao cais do meu corpo
e deixavas-te ficar
ora ondulando 
ora beijando
ora navegando-me

[meu marinheiro de saudade feito
que prefere os abismos estranhos
ao da minha alma]



quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

nunca perdi nada teu




nunca perdi nada teu.
nunca esqueci...

apenas o caminho se mostrou outro.
apenas as opções ganharam coragem.

apenas nós, os derrotados,
sabíamos  o que escrever no epílogo
de uma história que nunca passou disso.

e mesmo o que foi escrito pela vontade
para trás...
silencioso
no tempo
invisível

... / ...
não,
nunca perdi nada teu.



perdi-te no teu silêncio








Não sei onde deixaste o teu silêncio.
Procuro-te nas ramagens das palavras que lanças ao vento.
Tão silenciosas como tu.


... sofrido
também este meu silêncio
no temor de despertar o teu

[quando
as palavras que me dizes não são
as que quero
mas outras
...




terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

destino


 
 
sentiste as pétalas entre os teus dedos e ainda assim fechaste as mãos.

matando.
morrendo eu 
 

choro

 
 
 
... parei-me.
 
mar de tanto navegar
parei-me.
 
estou cansada de te dividir com olhares
dúbios
estagnados
desfocados
 
nesta força em que me veem
em que acreditam ser diferente de mim
sou o que sinto
não o que sempre escrevo.
 
 
 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

...







silencio-me.






****





poderia falar-te do vento
dos beijos que te deixo
do tempo que escasseia


algures, ao canto da gaveta

das marés perdidas

mas já te dei todas as palavras
e só sobraram estas flores






o que gostaria de...

- escrevi -


Gostaria de esperar por ti numa vida sem curvas.
Poder olhar e ver a um só tempo.








... fazer ondas no teu cabelo e chamar-te (a)mar, acreditando que era, que seria capaz, que era eu de novo, viva.
porque o que se dá nunca chega quando sempre se guardou o que gostaríamos de dar.

de Ser.



quinta-feira, 16 de janeiro de 2014