segunda-feira, 10 de março de 2014

não sei quem são...




não sei quem são.

ouço-lhes os passos
arrastados lá fora
as vozes em surdina
comentando segredos e propósitos
disfarçando a vontade de que os ouça.

não ouço
- deixei de os ouvir -
ignorando-os.

cantam agora
silencioso o arrastar
sibilante o assobio
atiram pedrinhas à vidraça

assustada
a alma esconde-se
tiritante por tanto arrojo

protejo as vidraças da alma.



domingo, 9 de março de 2014

a tua identidade

 

o sorriso esconde a paz.
a taça enche-se de novo.








a minha indiferença
a minha pena são tão grandes
que nem encontro palavras para me sentir.

fecho]

sábado, 8 de março de 2014

acabou.














acabou.

arrumei-te lá fora.
a chuva
o vento
a vida
tomarão conta de ti

que eu parto
para o meu mar
de falésias e de adamastores
de fantasmas habitando as vagas.

as tuas mentiras já não doem
as tuas fachadas já não iludem
e recuso o espetáculo do teu palco movido por um tempo que
(me) sufoca
que te cega
que te faz detestar-me.


simplesmente,
ficamos assim



...













sempre disse que era não sendo
cimentando raízes que nunca deram flor
regando com ácido as tentativas


e fala de amor
envenenando o ar
lamentando o mal semeado pelas suas próprias mãos.













sexta-feira, 7 de março de 2014

porque nunca.














sinto toda a mágoa pelas palavras que enterrei
choro-as





e tu
sempre a vestires-me de brocados
a enfeitares o meu colo
a ofereceres
a joia

sempre mentindo
sem nunca te dares












[resta-me esta paz
a das palavras que nunca te dei]







vencida


vencida

deixo que me recues
(a)mar

e espero na orla de uma praia com o teu nome

o traço firme dos teus passos



quinta-feira, 6 de março de 2014

esboço

 
deixo-te
o esboço que criaste
 
sem Alma
imperfeito
 
apenas de palavras feito
 
[tropecei por aqui
ali
na folha que me deste
branca
- em branco? -
 
balancei-me
no canto inferior direito
esperando que voltasses a página]
 
a tua
branca
em branco!
a minha
 
,
 
por paginar
 
*
sem cor.
 
 
 
 
 

quarta-feira, 5 de março de 2014

teces-me lágrimas



teces-me
lágrimas

enquanto espantas o meu olhar com o teu encanto
com a força das palavras que rolam da tua boca
com certezas sobre quem não sei

não sou eu
:
soletro-to*

sei que bebes o amor que depois te cansa
de que te cansas
como sempre





ser caprichoso




forma caprichosa de ser
de se oferecer sem nunca se dar
:
foi o que mudou a minha porta




cala-me o corpo

cala-me o corpo



*****

cala-me o corpo
que assim se grita
louco
permissivo
inconsequente


pudesse ele
dar-se e ser depois
pudesse sim...
encontrar-te


e ainda assim
dar-se
como se fosse primeiro
o dia
o momento
o corpo que encontrasse

terça-feira, 4 de março de 2014

que mãos.

mãos a mais











*****

que mãos mais
a mais

excitando o aroma do alecrim
no selvagem trato de um rugir
eco de vozes
outras*
declinadas
desalinhadas na gruta do ouvido

e

é a surdez da pele
sorrindo
ao estertor do desejo

[antes
assim não fosse]

ou tanto...








segunda-feira, 3 de março de 2014

palavras presas

       se o teu sonho tem a forma arredondada de um abraço
o gosto fresco da brisa em manhã de primavera, aberta a janela, escancarado o olhar


o lado macio para onde adormeço
se o teu sonho é só teu e não como os outros
se o teu sonho




se assim fosse
mas não
os sonhos não são
eles apenas existem na vontade








palavras disparadas










sou mais feliz no meu caule

na lombada com que me escrevo e sou
fora da falsidade

que nunca me alimentou
que nunca me converteu

que sempre me repeliu





domingo, 2 de março de 2014

sábado, 1 de março de 2014

pega-me!




pega-me
do lado contrário

é do outro lado que guardo o olhar
a solidão

pega-me
há apenas uma asa
o equilíbrio

e eu
permaneço ao meio

pega-me
pois
e esvazia-me