sexta-feira, 18 de abril de 2014

renúncia







renúncia


disse
:



o que em mim ainda há de nu resguarda-se além da escrita.
uma porta fechada que disfarço puxando o canto da boca que sorri uma palavra amarga que enfeito enquanto o resto do meu corpo foge e se refugia na colina que construí

e sempre a maldita chave na porta
desafiando
as mãos
a força dos murros





| hoje trouxe-me pela memória até esses momentos em que me lias fixando apenas o meu olhar
era a vida que se construía em que tentávamos que os caminhos fossem um não te desvies de mim
dizias
:

como seria viver longe de ti?
sabes? não, não o descobri até hoje
|

... ou talvez a vida não seja isto.




quarta-feira, 16 de abril de 2014

sob pretexto





_____________sob pretexto



Sorrio-te e não é isso que quero
Ouço-te e desejo outra coisa
centro-te no meu mundo
e Sinto-te
Ris e Rio contigo

[momento sem aplauso]


engano ledo que não convence
gosto ébrio que não se cala
entreabrindo os lábios

doce
numa quase prece
o murmúrio

:


... sopra-me e [a]guarda-me

conturbado





um espaço de quase nada

nunca se reviu nas estocadas
passos adiante passos atrás era sempre confiante o trato a forma e a continuidade dos toques
de esgrimista
ferindo
sorridente

o caminho prometia-se
em frente
ignorando o que ficava para trás



]não chegou a perder-se
porque já tinha dobrado o mapa[




pouco importa









pouco importa.



se o tempo passou
apenas isso importa.

se espero?

por que queres saber?

não te foste embora?



lei do acaso





-------------perguntou
:


e se o teu olhar tivesse já visitado o meu
e o tenha evitado
talvez por gostar talvez por sentir ou talvez por coisa nenhuma

e se coisa nenhuma tivesse sido toque roçar ignorados ou com licença obrigada

e tudo fosse inocente útil ou não

e se o teu olhar tu tivessem acompanhado a minha sombra até casa entrado na minha intimidade e tivessem ficado sentados no banco da cozinha partilhando o meu jantar

e se...

:
diz!

e se tudo pudesse ter sido assim
seríamos nós ainda
[as]sim
dispersos e impossíveis?


estado-natural



| no princípio
era simples o universo
de branco pintado também nos muros em que escrevia |

e foi a articulação de um eu sem nome - apenas eu - no estado natural em que me colocava cada dia sem me questionar se o lugar era mesmo meu e aquele se o lado da sombra me pertencia

sem nome ainda desarticulei-me do que de mim sabia e comecei a seres também tu no meu ouvido por caminhos curvos até à minha alma

:


d(a)mar
a trajetória
água fresca na antecipação dos meus dias
e sempre a par comigo



ataraxia



se ao menos me compreendesses.

vivo surda
de costas voltadas

porque não quero ouvir.
porque não quero acreditar.


[   doeram-me todos os gritos
todos os silêncios às minhas perguntas
respondidas assim

todas as certezas floridas
no gume de uma mentira  ]




terça-feira, 15 de abril de 2014

cruéis pensamentos

cruéis pensamentos



________se rio?¨¨¨¨¨¨¨¨¨
sim

:

de todos os contos de fada.

digam-me sim ou não
mas respondam

vocifera em mim o Silêncio
por isso

o Silêncio é o vazio é a escolha é o tu é que sabes e saber nunca é o que se pensa nunca é o que se quer ou escolhe

por isso!

vomito o Silêncio com os seus sonhos d' Amor fora de prazo - azedo - quando se estende a mão quando se julga sentir e apenas sobra o suor das mãos

[vamos
limpa-o ao pó das calças e não me devolvas nada que seja só teu]



encantamento

___________posso, simplesmente

:

fechar a porta com o pé encerrar as janelas, correr as cortinas apagar a luz e colocar algodão nos ouvidos

iludir



[mas não posso apagar-me na vela que arde em mim trémula resistente à brisa ao sopro dos encantos

quais
contos de infância
de fadas e princesas
máscaras

contos desencantados de cavaleiros negros em corcéis em branco brandos nas palavras nos gestos de lâminas fulgurosas ferrugentas pelos cabos

dizem

:

vem que eu conto-te um conto acrescentado no sonho de um mundo por haver



que me encantam
porque talvez
não queiras encantar-me]

domingo, 6 de abril de 2014

escrevo-te. com maiúsculas.










olha
:

Beija-me o Sorriso
e para o Tempo

o outro.
o que gera os Abismos

depois
:
para o que for Nosso




sábado, 5 de abril de 2014

Je T'aime Mélancolie ou a face utópica das palavras sibilinas








uso a Melancolia após ter desistido sem ter chegado a perder.


desistência de um sonho tão visto e revisto que acabou se tornando realidade.
não há vencedores nem vencidos nesta incerteza que não vale a pena como o próprio sonho.

dancemos, pois.






sexta-feira, 4 de abril de 2014

aos quatro ventos me sou aMar




ficar
nunca quis dizer
permanecer

ainda que ficando
sempre soube que o seu lugar
não era ainda
ali
que o sorrio
sibilava
e não era brisa
ou encanto


[ouso-me na tempestade
alta
furiosa
no Abismo que me lanças
voo



quinta-feira, 3 de abril de 2014

Diabolique Mon Ange























Morrer de amor
ao pé da tua boca

Desfalecer
à pele
do sorriso

Sufocar
de prazer
com o teu corpo

Trocar tudo por ti
se for preciso



Maria Teresa Horta



quarta-feira, 2 de abril de 2014

o Tempo do não viver






(...)

Je n'ai pas le temps de vivre
Quand s'enfuit mon équilibre
Je n'ai pas le temps de vivre
Aime-moi, entre en moi
Dis-moi les mots qui rendent ivres
Dis-moi que la nuit se déguise
Tu le vois, je suis
Comme la mer qui se retire
N'avoir pas su trouver tes pas

(...)




sei hoje.

o Tempo do sonho trazia-se
perdido
arrastado pelo vento
protegendo-se pelas paredes
nos ponteiros que não eram de relógio
nas palavras
disfarçadas
desdenhando o Sentir

e as marés chegavam
trazendo as tuas pegadas
eu
recusando ver


[sente comigo
como se fora ontem]







vento alazão

vento alazão




______________ ]meu vento
alazão imponderado
buscando-me no solo
dos sentidos

diz-se brisa
mas cheiro-o animal
diz-se suave
mas sei-o Sirocco
na nuca
dorsal à minha recusa
alísio na minha serenidade
assim escusada

[e de todos os ventos
há-os que chegam fora de rota
sem procurarem alguma