sexta-feira, 18 de abril de 2014
para um Fim com Princípio
_______________ o que não escrevemos
:
magoa-nos.
arremessaste-me contra a parede onde deixei que escorressem todas as mentiras e silêncios que, imagina, ignorei.
infiltraram-se pelas fendas do soalho e esgueiraram-se até ao centro de nenhures.
o resto
é o silêncio quebrado
sem mata borrão onde deixar rasto.
Das Ende.
com sabor ainda a Adeus
________________alinhadas.
paralelas
descem corredias as impressões digitais tateantes
no rosto
na curva do queixo
desfazendo o malabarismo da orelha
até à curva do pescoço
espera.
Sorriso
:
... não
não me queimas de pele.
eu disse-te.
num meu aparte
:
o teu perfil.
gosto.
Sorrio quando me chega.
o olhar cirúrgico antecedendo o tremor do fumo do cigarro.
gosto.
não me vês e gosto.
és o meu aparte.
algures
no meu mundo
:
o teu perfil.
gosto.
Sorrio quando me chega.
o olhar cirúrgico antecedendo o tremor do fumo do cigarro.
gosto.
não me vês e gosto.
és o meu aparte.
algures
no meu mundo
hoje, nada, não foi nada

___________hoje?
nada. não foi nada.
apenas mais um risco na parede.
[ou terá sido um risco a mais na parede?]
e:
disse
mas lembro-me que gastei muito d'hoje pensando
no que te escreveria agora.
sabes:
- o mundo por dentro é enorme
pensado
desejoso
sonhando
mas é no agora que sucede aos hoje
que as palavras enrouquecem
se protegem em nó
e passam mansas ante olhos alheios.
nunca
ante os teus
e triste
sou Sorriso
:
pediu
[lê-me para além de mim
,
tu sabes]
nada. não foi nada.
apenas mais um risco na parede.
[ou terá sido um risco a mais na parede?]
e:
disse
mas lembro-me que gastei muito d'hoje pensando
no que te escreveria agora.
sabes:
- o mundo por dentro é enorme
pensado
desejoso
sonhando
mas é no agora que sucede aos hoje
que as palavras enrouquecem
se protegem em nó
e passam mansas ante olhos alheios.
nunca
ante os teus
e triste
sou Sorriso
:
pediu
[lê-me para além de mim
,
tu sabes]
ambivalências

_______________era uma conversa informal.
sentou-se
escondeu-se por entre o vício e o gesto da timidez
e
disse
:
imaginar-te não é apenas imaginar-te mas querer-te de posse como eu quero e tu nem imaginas
e possuo-te sempre que desfilas o Olhar e a Alma nas linhas que escrevo tombando nos entre espaços sem vírgulas com que te provoco
não sabes
mas
neste momento
o meu joelho toca o teu e desenha ritmos no ar
o meu fumo beija-te o rosto
trazendo-me o teu gosto aos sentidos
não sabes
mas eu sei
e é sabendo que te construo
em cada noite em que te pertenço
e tu não chegas a saber
sentou-se
escondeu-se por entre o vício e o gesto da timidez
e
disse
:
imaginar-te não é apenas imaginar-te mas querer-te de posse como eu quero e tu nem imaginas
e possuo-te sempre que desfilas o Olhar e a Alma nas linhas que escrevo tombando nos entre espaços sem vírgulas com que te provoco
não sabes
mas
neste momento
o meu joelho toca o teu e desenha ritmos no ar
o meu fumo beija-te o rosto
trazendo-me o teu gosto aos sentidos
não sabes
mas eu sei
e é sabendo que te construo
em cada noite em que te pertenço
e tu não chegas a saber
sempre é como sempre foi

______________invasão discreta à obediência do corpo
diz
:
leu-o no Verbo
no Hoje das palavras depois do Tempo do crescer da confiança
desse Sempre que tem permanecido igual coeso
Sabê-lo é Senti-lo
não seu não posse... mas Dentro na Alma
saboreia-o
.
quando o lê
quando o ouve
quando o experimenta nas veias
e em desejos de mil cores
em cada palavra que lhe dedica
diz
:
leu-o no Verbo
no Hoje das palavras depois do Tempo do crescer da confiança
desse Sempre que tem permanecido igual coeso
Sabê-lo é Senti-lo
não seu não posse... mas Dentro na Alma
saboreia-o
.
quando o lê
quando o ouve
quando o experimenta nas veias
e em desejos de mil cores
em cada palavra que lhe dedica
renúncia
disse
:
o que em mim ainda há de nu resguarda-se além da escrita.
uma porta fechada que disfarço puxando o canto da boca que sorri uma palavra amarga que enfeito enquanto o resto do meu corpo foge e se refugia na colina que construí
e sempre a maldita chave na porta
desafiando
as mãos
a força dos murros
:
o que em mim ainda há de nu resguarda-se além da escrita.
uma porta fechada que disfarço puxando o canto da boca que sorri uma palavra amarga que enfeito enquanto o resto do meu corpo foge e se refugia na colina que construí
e sempre a maldita chave na porta
desafiando
as mãos
a força dos murros
| hoje trouxe-me pela memória até esses momentos em que me lias fixando apenas o meu olhar
era a vida que se construía em que tentávamos que os caminhos fossem um não te desvies de mim
dizias
:
como seria viver longe de ti?
sabes? não, não o descobri até hoje
|
... ou talvez a vida não seja isto.
era a vida que se construía em que tentávamos que os caminhos fossem um não te desvies de mim
dizias
:
como seria viver longe de ti?
sabes? não, não o descobri até hoje
|
... ou talvez a vida não seja isto.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
sob pretexto
_____________sob pretexto
Sorrio-te e não é isso que quero
Ouço-te e desejo outra coisa
centro-te no meu mundo
e Sinto-te
Ris e Rio contigo
[momento sem aplauso]
engano ledo que não convence
gosto ébrio que não se cala
entreabrindo os lábios
doce
numa quase prece
o murmúrio
:
... sopra-me e [a]guarda-me
conturbado
um espaço de quase nada
nunca se reviu nas estocadas
passos adiante passos atrás era sempre confiante o trato a forma e a continuidade dos toques
de esgrimista
ferindo
sorridente
o caminho prometia-se
em frente
ignorando o que ficava para trás
]não chegou a perder-se
porque já tinha dobrado o mapa[
pouco importa

pouco importa.
se o tempo passou
apenas isso importa.
se espero?
por que queres saber?
não te foste embora?
lei do acaso
-------------perguntou
:
e se o teu olhar tivesse já visitado o meu
e o tenha evitado
talvez por gostar talvez por sentir ou talvez por coisa nenhuma
e se coisa nenhuma tivesse sido toque roçar ignorados ou com licença obrigada
e tudo fosse inocente útil ou não
e se o teu olhar tu tivessem acompanhado a minha sombra até casa entrado na minha intimidade e tivessem ficado sentados no banco da cozinha partilhando o meu jantar
e se...
:
diz!
e se tudo pudesse ter sido assim
seríamos nós ainda
[as]sim
dispersos e impossíveis?
estado-natural

| no princípio
era simples o universo
de branco pintado também nos muros em que escrevia |
e foi a articulação de um eu sem nome - apenas eu - no estado natural em que me colocava cada dia sem me questionar se o lugar era mesmo meu e aquele se o lado da sombra me pertencia
sem nome ainda desarticulei-me do que de mim sabia e comecei a seres também tu no meu ouvido por caminhos curvos até à minha alma
:
d(a)mar
a trajetória
água fresca na antecipação dos meus dias
e sempre a par comigo
era simples o universo
de branco pintado também nos muros em que escrevia |
e foi a articulação de um eu sem nome - apenas eu - no estado natural em que me colocava cada dia sem me questionar se o lugar era mesmo meu e aquele se o lado da sombra me pertencia
sem nome ainda desarticulei-me do que de mim sabia e comecei a seres também tu no meu ouvido por caminhos curvos até à minha alma
:
d(a)mar
a trajetória
água fresca na antecipação dos meus dias
e sempre a par comigo
ataraxia

se ao menos me compreendesses.
vivo surda
de costas voltadas
porque não quero ouvir.
porque não quero acreditar.
[ doeram-me todos os gritos
todos os silêncios às minhas perguntas
respondidas assim
todas as certezas floridas
no gume de uma mentira ]
terça-feira, 15 de abril de 2014
cruéis pensamentos

________se rio?¨¨¨¨¨¨¨¨¨
sim
:
de todos os contos de fada.
digam-me sim ou não
mas respondam
vocifera em mim o Silêncio
por isso
o Silêncio é o vazio é a escolha é o tu é que sabes e saber nunca é o que se pensa nunca é o que se quer ou escolhe
por isso!
vomito o Silêncio com os seus sonhos d' Amor fora de prazo - azedo - quando se estende a mão quando se julga sentir e apenas sobra o suor das mãos
[vamos
limpa-o ao pó das calças e não me devolvas nada que seja só teu]
sim
:
de todos os contos de fada.
digam-me sim ou não
mas respondam
vocifera em mim o Silêncio
por isso
o Silêncio é o vazio é a escolha é o tu é que sabes e saber nunca é o que se pensa nunca é o que se quer ou escolhe
por isso!
vomito o Silêncio com os seus sonhos d' Amor fora de prazo - azedo - quando se estende a mão quando se julga sentir e apenas sobra o suor das mãos
[vamos
limpa-o ao pó das calças e não me devolvas nada que seja só teu]
encantamento
___________posso, simplesmente
:
fechar a porta com o pé encerrar as janelas, correr as cortinas apagar a luz e colocar algodão nos ouvidos
iludir
[mas não posso apagar-me na vela que arde em mim trémula resistente à brisa ao sopro dos encantos
quais
contos de infância
de fadas e princesas
máscaras
contos desencantados de cavaleiros negros em corcéis em branco brandos nas palavras nos gestos de lâminas fulgurosas ferrugentas pelos cabos
dizem
:
vem que eu conto-te um conto acrescentado no sonho de um mundo por haver
que me encantam
porque talvez
não queiras encantar-me]
:
fechar a porta com o pé encerrar as janelas, correr as cortinas apagar a luz e colocar algodão nos ouvidos
iludir
[mas não posso apagar-me na vela que arde em mim trémula resistente à brisa ao sopro dos encantos
quais
contos de infância
de fadas e princesas
máscaras
contos desencantados de cavaleiros negros em corcéis em branco brandos nas palavras nos gestos de lâminas fulgurosas ferrugentas pelos cabos
dizem
:
vem que eu conto-te um conto acrescentado no sonho de um mundo por haver
que me encantam
porque talvez
não queiras encantar-me]
domingo, 6 de abril de 2014
escrevo-te. com maiúsculas.

olha
:
Beija-me o Sorriso
e para o Tempo
o outro.
o que gera os Abismos
depois
:
para o que for Nosso
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