quinta-feira, 22 de maio de 2014

Paraíso contigo.






................................................sei lá que forma tem o paraíso!
basta-me o enrolar da maré das tuas palavras para que me sinta como há muito não me sabia.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

para um Fim com Princípio







_______________ o que não escrevemos
:

magoa-nos.

arremessaste-me contra a parede onde deixei que escorressem todas as mentiras e silêncios que, imagina, ignorei.
infiltraram-se pelas fendas do soalho e esgueiraram-se até ao centro de nenhures.

o resto
é o silêncio quebrado
sem mata borrão onde deixar rasto.


Das Ende.




com sabor ainda a Adeus









________________alinhadas.
paralelas

descem corredias as impressões digitais tateantes
no rosto
na curva do queixo
desfazendo o malabarismo da orelha
até à curva do pescoço

espera.
Sorriso
:

... não
não me queimas de pele.
eu disse-te.











num meu aparte
:

o teu perfil.
gosto.
Sorrio quando me chega.
o olhar cirúrgico antecedendo o tremor do fumo do cigarro.
gosto.
não me vês e gosto.
és o meu aparte.
algures
no meu mundo






hoje, nada, não foi nada

hoje, nada, não foi nada



___________hoje?
nada. não foi nada.
apenas mais um risco na parede.

[ou terá sido um risco a mais na parede?]



e:
disse



mas lembro-me que gastei muito d'hoje pensando
no que te escreveria agora.


sabes:
- o mundo por dentro é enorme
pensado
desejoso
sonhando
mas é no agora que sucede aos hoje
que as palavras enrouquecem
se protegem em nó
e passam mansas ante olhos alheios.

nunca
ante os teus

e triste
sou Sorriso




:
pediu

[lê-me para além de mim
,
tu sabes]

ambivalências

ambivalências




_______________era uma conversa informal.

sentou-se
escondeu-se por entre o vício e o gesto da timidez
e
disse
:


imaginar-te não é apenas imaginar-te mas querer-te de posse como eu quero e tu nem imaginas
e possuo-te sempre que desfilas o Olhar e a Alma nas linhas que escrevo tombando nos entre espaços sem vírgulas com que te provoco

não sabes
mas
neste momento
o meu joelho toca o teu e desenha ritmos no ar
o meu fumo beija-te o rosto
trazendo-me o teu gosto aos sentidos


não sabes
mas eu sei
e é sabendo que te construo
em cada noite em que te pertenço
e tu não chegas a saber


sempre é como sempre foi

sempre é como sempre foi



______________invasão discreta à obediência do corpo



diz
:

leu-o no Verbo
no Hoje das palavras depois do Tempo do crescer da confiança
desse Sempre que tem permanecido igual coeso
Sabê-lo é Senti-lo
não seu não posse... mas Dentro na Alma

saboreia-o
.

quando o lê
quando o ouve
quando o experimenta nas veias
e em desejos de mil cores
em cada palavra que lhe dedica

renúncia







renúncia


disse
:



o que em mim ainda há de nu resguarda-se além da escrita.
uma porta fechada que disfarço puxando o canto da boca que sorri uma palavra amarga que enfeito enquanto o resto do meu corpo foge e se refugia na colina que construí

e sempre a maldita chave na porta
desafiando
as mãos
a força dos murros





| hoje trouxe-me pela memória até esses momentos em que me lias fixando apenas o meu olhar
era a vida que se construía em que tentávamos que os caminhos fossem um não te desvies de mim
dizias
:

como seria viver longe de ti?
sabes? não, não o descobri até hoje
|

... ou talvez a vida não seja isto.




quarta-feira, 16 de abril de 2014

sob pretexto





_____________sob pretexto



Sorrio-te e não é isso que quero
Ouço-te e desejo outra coisa
centro-te no meu mundo
e Sinto-te
Ris e Rio contigo

[momento sem aplauso]


engano ledo que não convence
gosto ébrio que não se cala
entreabrindo os lábios

doce
numa quase prece
o murmúrio

:


... sopra-me e [a]guarda-me

conturbado





um espaço de quase nada

nunca se reviu nas estocadas
passos adiante passos atrás era sempre confiante o trato a forma e a continuidade dos toques
de esgrimista
ferindo
sorridente

o caminho prometia-se
em frente
ignorando o que ficava para trás



]não chegou a perder-se
porque já tinha dobrado o mapa[




pouco importa









pouco importa.



se o tempo passou
apenas isso importa.

se espero?

por que queres saber?

não te foste embora?



lei do acaso





-------------perguntou
:


e se o teu olhar tivesse já visitado o meu
e o tenha evitado
talvez por gostar talvez por sentir ou talvez por coisa nenhuma

e se coisa nenhuma tivesse sido toque roçar ignorados ou com licença obrigada

e tudo fosse inocente útil ou não

e se o teu olhar tu tivessem acompanhado a minha sombra até casa entrado na minha intimidade e tivessem ficado sentados no banco da cozinha partilhando o meu jantar

e se...

:
diz!

e se tudo pudesse ter sido assim
seríamos nós ainda
[as]sim
dispersos e impossíveis?


estado-natural



| no princípio
era simples o universo
de branco pintado também nos muros em que escrevia |

e foi a articulação de um eu sem nome - apenas eu - no estado natural em que me colocava cada dia sem me questionar se o lugar era mesmo meu e aquele se o lado da sombra me pertencia

sem nome ainda desarticulei-me do que de mim sabia e comecei a seres também tu no meu ouvido por caminhos curvos até à minha alma

:


d(a)mar
a trajetória
água fresca na antecipação dos meus dias
e sempre a par comigo



ataraxia



se ao menos me compreendesses.

vivo surda
de costas voltadas

porque não quero ouvir.
porque não quero acreditar.


[   doeram-me todos os gritos
todos os silêncios às minhas perguntas
respondidas assim

todas as certezas floridas
no gume de uma mentira  ]




terça-feira, 15 de abril de 2014

cruéis pensamentos

cruéis pensamentos



________se rio?¨¨¨¨¨¨¨¨¨
sim

:

de todos os contos de fada.

digam-me sim ou não
mas respondam

vocifera em mim o Silêncio
por isso

o Silêncio é o vazio é a escolha é o tu é que sabes e saber nunca é o que se pensa nunca é o que se quer ou escolhe

por isso!

vomito o Silêncio com os seus sonhos d' Amor fora de prazo - azedo - quando se estende a mão quando se julga sentir e apenas sobra o suor das mãos

[vamos
limpa-o ao pó das calças e não me devolvas nada que seja só teu]



encantamento

___________posso, simplesmente

:

fechar a porta com o pé encerrar as janelas, correr as cortinas apagar a luz e colocar algodão nos ouvidos

iludir



[mas não posso apagar-me na vela que arde em mim trémula resistente à brisa ao sopro dos encantos

quais
contos de infância
de fadas e princesas
máscaras

contos desencantados de cavaleiros negros em corcéis em branco brandos nas palavras nos gestos de lâminas fulgurosas ferrugentas pelos cabos

dizem

:

vem que eu conto-te um conto acrescentado no sonho de um mundo por haver



que me encantam
porque talvez
não queiras encantar-me]