domingo, 29 de maio de 2016

deixei a mesa posta.










deixei a mesa posta.
- todos os dias abro a janela com olhar sobre o mar, virada ao céu, -

soltos os versos entre os dedos
escorridos pela Alma
sonho pão com manteiga por entre o fumo quente do café
por entre os teus olhos
rasos de poesia

e penso

não há saudade como esta

quinta-feira, 26 de maio de 2016

fora de tempo










se me nego ao sentimento
se evito as palavras
se circunscrevo nas linhas o que apenas posso
e tropeço no que quero
pontapeando para o lado

para

berma
sombra
abandono

os beijos que guardo

[e continuo]

sabe que não é vento o que fragiliza o ramo
não é medo o que faz cair a folhagem
mas os ponteiros que me apontam a porta de saída

e tudo é curto
tudo é sem Tempo

… ou fora dele.






quinta-feira, 12 de maio de 2016

a que te sabe a chuva sem mim?














são de amarelo os reflexos pálidos e desbotados de uma vida adiada pela saudade de tudo quanto morreu pendurado ainda da raiz 

e sabe a chuva a água que salpica as cores envergonhadas sem sal sem tristeza sem nada sem mesmo lágrimas

sobra-me apenas esta imprecisão que dita que abandonemos a ternura como quem lança uma beata para depois da beira do passeio

e sei, sim, afinal a chuva não sabe a nada




segunda-feira, 9 de maio de 2016

sem gosto dor apenas










sempre que penso nisso, solta-se-me este gosto salgado a raiva, escorrendo da boca para um algures em mim, uma parte perdida que me foi arrancada, mutilada
eu, doces pensamentos, rosa nos sonhos pintalgados de azul, tudo lançado ao vento da inutilidade que recusa às sementes a fertilidade do solo...

e assim,
de uma ferida só
exponho o fel  e o sal que não deixa fechar o grito
ou a dor


[talvez a ferida]


segunda-feira, 18 de maio de 2015

nada mais interessa





as palavras caricaturam os sentimentos
acrescentam-lhes narizes rubicundos
lábios secos e olhares desvairados

por isso os excluo do branco agora tingido
o níveo agora nada

os sentimentos...
ninguém quer saber como são

só cheiro da pele interessa
a curva da cintura


terça-feira, 12 de agosto de 2014

segunda-feira, 7 de julho de 2014

: do eco que não queres que fique... não ficarei

nada mais fica
o que (me) resta
é saber-te à beira do caminho
evitando o entroncamento para a minha alma
[foi quando
morreram todas as passadas na areia
:
veio o teu vento e levou-as]
- - - - - - - - - a tentar vencer o abismo sob o pontilhado
...

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Paraíso contigo.






................................................sei lá que forma tem o paraíso!
basta-me o enrolar da maré das tuas palavras para que me sinta como há muito não me sabia.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

para um Fim com Princípio







_______________ o que não escrevemos
:

magoa-nos.

arremessaste-me contra a parede onde deixei que escorressem todas as mentiras e silêncios que, imagina, ignorei.
infiltraram-se pelas fendas do soalho e esgueiraram-se até ao centro de nenhures.

o resto
é o silêncio quebrado
sem mata borrão onde deixar rasto.


Das Ende.




com sabor ainda a Adeus









________________alinhadas.
paralelas

descem corredias as impressões digitais tateantes
no rosto
na curva do queixo
desfazendo o malabarismo da orelha
até à curva do pescoço

espera.
Sorriso
:

... não
não me queimas de pele.
eu disse-te.











num meu aparte
:

o teu perfil.
gosto.
Sorrio quando me chega.
o olhar cirúrgico antecedendo o tremor do fumo do cigarro.
gosto.
não me vês e gosto.
és o meu aparte.
algures
no meu mundo






hoje, nada, não foi nada

hoje, nada, não foi nada



___________hoje?
nada. não foi nada.
apenas mais um risco na parede.

[ou terá sido um risco a mais na parede?]



e:
disse



mas lembro-me que gastei muito d'hoje pensando
no que te escreveria agora.


sabes:
- o mundo por dentro é enorme
pensado
desejoso
sonhando
mas é no agora que sucede aos hoje
que as palavras enrouquecem
se protegem em nó
e passam mansas ante olhos alheios.

nunca
ante os teus

e triste
sou Sorriso




:
pediu

[lê-me para além de mim
,
tu sabes]

ambivalências

ambivalências




_______________era uma conversa informal.

sentou-se
escondeu-se por entre o vício e o gesto da timidez
e
disse
:


imaginar-te não é apenas imaginar-te mas querer-te de posse como eu quero e tu nem imaginas
e possuo-te sempre que desfilas o Olhar e a Alma nas linhas que escrevo tombando nos entre espaços sem vírgulas com que te provoco

não sabes
mas
neste momento
o meu joelho toca o teu e desenha ritmos no ar
o meu fumo beija-te o rosto
trazendo-me o teu gosto aos sentidos


não sabes
mas eu sei
e é sabendo que te construo
em cada noite em que te pertenço
e tu não chegas a saber


sempre é como sempre foi

sempre é como sempre foi



______________invasão discreta à obediência do corpo



diz
:

leu-o no Verbo
no Hoje das palavras depois do Tempo do crescer da confiança
desse Sempre que tem permanecido igual coeso
Sabê-lo é Senti-lo
não seu não posse... mas Dentro na Alma

saboreia-o
.

quando o lê
quando o ouve
quando o experimenta nas veias
e em desejos de mil cores
em cada palavra que lhe dedica

renúncia







renúncia


disse
:



o que em mim ainda há de nu resguarda-se além da escrita.
uma porta fechada que disfarço puxando o canto da boca que sorri uma palavra amarga que enfeito enquanto o resto do meu corpo foge e se refugia na colina que construí

e sempre a maldita chave na porta
desafiando
as mãos
a força dos murros





| hoje trouxe-me pela memória até esses momentos em que me lias fixando apenas o meu olhar
era a vida que se construía em que tentávamos que os caminhos fossem um não te desvies de mim
dizias
:

como seria viver longe de ti?
sabes? não, não o descobri até hoje
|

... ou talvez a vida não seja isto.




quarta-feira, 16 de abril de 2014

sob pretexto





_____________sob pretexto



Sorrio-te e não é isso que quero
Ouço-te e desejo outra coisa
centro-te no meu mundo
e Sinto-te
Ris e Rio contigo

[momento sem aplauso]


engano ledo que não convence
gosto ébrio que não se cala
entreabrindo os lábios

doce
numa quase prece
o murmúrio

:


... sopra-me e [a]guarda-me