quinta-feira, 30 de junho de 2016

desnutrida.




saudade de te ler.

onde guardaste tu a praia, as horas mortas, o mar e as vagas em que chegavas em palavras?
onde se falhou antes do silêncio?

o luar rega as pétalas
mas não basta à terra.


quarta-feira, 1 de junho de 2016

sibilâncias







toc!...
toc.

é o bater das noites
das horas
que nem sei já
na vidraça da minha insónia

brincam comigo
alucinando o meu sono
espalhando o teu cheiro
-desconhecido-
as nuances da tua voz
-sempre omissa-

[mas chego a sentir-lhe
o rouco
o desejo]


calo a respiração
o suspiro
enquanto espero

... que tudo passe.
mesmo o que não sei já.


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domingo, 29 de maio de 2016

deixei a mesa posta.










deixei a mesa posta.
- todos os dias abro a janela com olhar sobre o mar, virada ao céu, -

soltos os versos entre os dedos
escorridos pela Alma
sonho pão com manteiga por entre o fumo quente do café
por entre os teus olhos
rasos de poesia

e penso

não há saudade como esta

quinta-feira, 26 de maio de 2016

fora de tempo










se me nego ao sentimento
se evito as palavras
se circunscrevo nas linhas o que apenas posso
e tropeço no que quero
pontapeando para o lado

para

berma
sombra
abandono

os beijos que guardo

[e continuo]

sabe que não é vento o que fragiliza o ramo
não é medo o que faz cair a folhagem
mas os ponteiros que me apontam a porta de saída

e tudo é curto
tudo é sem Tempo

… ou fora dele.






quinta-feira, 12 de maio de 2016

a que te sabe a chuva sem mim?














são de amarelo os reflexos pálidos e desbotados de uma vida adiada pela saudade de tudo quanto morreu pendurado ainda da raiz 

e sabe a chuva a água que salpica as cores envergonhadas sem sal sem tristeza sem nada sem mesmo lágrimas

sobra-me apenas esta imprecisão que dita que abandonemos a ternura como quem lança uma beata para depois da beira do passeio

e sei, sim, afinal a chuva não sabe a nada




segunda-feira, 9 de maio de 2016

sem gosto dor apenas










sempre que penso nisso, solta-se-me este gosto salgado a raiva, escorrendo da boca para um algures em mim, uma parte perdida que me foi arrancada, mutilada
eu, doces pensamentos, rosa nos sonhos pintalgados de azul, tudo lançado ao vento da inutilidade que recusa às sementes a fertilidade do solo...

e assim,
de uma ferida só
exponho o fel  e o sal que não deixa fechar o grito
ou a dor


[talvez a ferida]